Wednesday, August 15, 2007

3 Ano - O Brasil na Segunda Guerra

O Brasil e a Segunda Guerra Mundial

a) Os EUA e a América Latina na década de 1930


O governo Franklin D. Roosevelt (1933-1945). FDR buscou consolidar a hegemonia dos EUA no Hemisfério Ocidental (as Américas) e afastar a crescente influência ideológica e econômica da Alemanha nazista na região. Visando criar uma imagem positiva dos EUA na América Latina para fortalecer sua liderança e ampliar os laços comerciais interamericanos, Roosevelt adotou a Política de Boa Vizinhança:
– Não-intervenção nos assuntos internos dos países latino-americanos, implicando em tolerar regimes autoritários e nacionalistas apesar de algumas divergências econômicas (criação de estatais e industrialização com substituição de importações)
– Fim das intervenções militares americanas na América Central e Caribe
– Assistência econômica e acordos comerciais com os países latino-americanos (exemplo: criação do Export-Import Bank em 1934 para financiar as compras latino-americanas de produtos dos EUA)

As conferências interamericanas. Fundamental para a Política da Boa Vizinhança foram as conferências regionais pan-americanas organizadas periodicamente entre os EUA e os países da América Latina voltadas para a ampliação da solidariedade e cooperação hemisféricas. As conferências de Buenos Aires (1936) e de Lima (1938) estabeleceram o compromisso da segurança coletiva contra agressões que partissem de potências não-americanas e mecanismos de consulta mútua. De certa forma, isso transformou a Doutrina Monroe dos EUA em uma doutrina multilateral interamericana. Na I Reunião de Consulta, no Panamá (1939), foi declarada a neutralidade dos países americanos na guerra européia. A Reunião de Havana (1940) reforçou o compromisso de defesa mútua em face de uma ameaça externa.

b) O Estado Novo entre a Alemanha e os EUA (1937-1940)

O crescimento da influência alemã na Era Vargas.
Ainda no início do governo constitucional de Vargas (1934-1937), portanto antes da instalação da ditadura do Estado Novo, o governo de Hitler lançou uma ofensiva diplomática e comercial no Brasil visando fortalecer os laços germano-brasileiros. Em 1934, foi assinado um acordo que expandiu o comércio bilateral entre a Alemanha e o Brasil. A instalação da ditadura estadonovista, com seus traços fascistas, parecia favorecer essa investida alemã. De fato, as importações brasileiras de produtos alemães em 1936-1938 superaram as americanas e transformaram a Alemanha na nossa principal parceira comercial. As relações germano-brasileiras, contudo, não ficaram livres de problemas e tensões, sobretudo por causa da repressão getulista às organizações nazistas que atuavam no sul do Brasil junto aos imigrantes alemães. Em fevereiro de 1938, o governo fechou o quartel-general nazista no RS e, em abril, proibiu organizações políticas estrangeiras em todo o país. Além disso, a repressão ao levante integralista em maio de 1938 parecia afastar ainda mais o Estado Novo do fascismo. As ações antinazistas e antifascistas de Vargas, porém, não abalaram o comércio Brasil-Alemanha e nem impediram a compra de armamento alemão para o reaparelhamento do exército brasileiro (acordo de março de 1938). No entanto, a eclosão da guerra na Europa, em setembro de 1939, seguida pelo bloqueio naval britânico à Alemanha, reduziu drasticamente o comércio alemão com o Brasil e estreitou, em contrapartida, os laços comerciais brasileiros com os EUA.

As divisões internas no Estado Novo. O Brasil ficou oficialmente neutro na Segunda Guerra Mundial até o início de 1942. No entanto, os membros do Estado Novo ficaram divididos em dois grupos quanto ao possível alinhamento do Brasil no conflito internacional: os germanófilos, simpáticos à Alemanha (Filinto Muller, chefe da Polícia do DF; general Eurico Dutra, Ministro da Guerra; general Góis Monteiro, comandante do Estado-Maior do Exército; Francisco Campos, Ministro da Justiça) e os americanistas, favoráveis aos EUA (Oswaldo Aranha, ex-embaixador nos EUA e Ministro das Relações Exteriores).

A posição de Vargas. Inicialmente, Vargas apresentou sinais contraditórios e ambíguos sobre sua posição na eventualidade do Brasil entrar na guerra (alinhamento com o Eixo ou com os EUA?). Ao mesmo tempo em que participava das conferências pan-americanas patrocinadas pelos EUA e estabelecia acordos comerciais com os americanos, buscou manter boas relações com a Alemanha e Itália. Na verdade, seu governo tentou extrair benefícios da disputa entre EUA e Alemanha pela influência no Brasil – uma posição que foi chamada de “eqüidistância pragmática”. De fato, para ele a questão central era obter financiamento externo para o programa brasileiro de industrialização, sobretudo para a criação da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e a construção de uma usina siderúrgica em Volta Redonda, RJ. Em um primeiro momento, os EUA resistiram em financiá-la, levando Vargas a sinalizar sua simpatia pela causa do Eixo. Diante disso, os EUA mudaram sua posição e aceitaram apoiar o projeto industrial getulista, afastando o Brasil da Alemanha. Principais momentos:
– 1940, 11 junho. Discurso de Vargas no encouraçado Minas Gerais simpático ao Eixo: “Os países fortes têm direito de buscar um lugar ao sol”. Mussolini enviou uma mensagem à Vargas elogiando seu discurso.
– 1940, setembro. EUA decidem financiar a CSN em troca da exclusividade na importação de minerais estratégicos e borracha do Brasil.

c) A construção da aliança Brasil-EUA (1940-1942)

Os interesses do Brasil e dos EUA.
Gradualmente, entre 1940 e 1942, os governos de Vargas e de Roosevelt construíram uma aliança estratégica que culminou na transformação do Brasil no principal parceiro político, militar e econômico dos EUA na América Latina e na entrada do Estado Novo na guerra contra a Alemanha. Na construção dessa aliança, os EUA queriam o fornecimento de minerais estratégicos brasileiros e a cessão de bases militares no nordeste do Brasil. Em contrapartida, o Brasil queria recursos para a modernização de suas forças armadas e para o programa de industrialização. Principais momentos da construção dessa aliança:
– 1940, outubro. Criação da Comissão Mista Brasil-EUA, voltada para o aprimoramento de medidas comuns de defesa.
– 1941, julho. O Brasil autoriza a instalação de bases militares americanas no nordeste.
– 1942, janeiro. Conferência do Rio de Janeiro (Reunião de Consulta dos Ministros de Relações Exteriores dos países americanos): assumindo o compromisso de solidariedade hemisférica com os EUA, que haviam entrado na Segunda Guerra Mundial em dezembro de 1941, o Brasil e a maioria dos países da América Latina rompem relações diplomáticas com o Eixo (Alemanha, Itália e Japão).
– A Alemanha reagiu afundando navios brasileiros (o primeiro foi o cargueiro Buarque): em 7 meses 19 navios foram afundados, matando 740 pessoas. No Brasil, aumentou a pressão interna pelo engajamento do país no conflito contra o Eixo.
– 1942, 4 julho. Passeata organizada pela UNE e apoiada por Oswaldo Aranha exige a entrada do Brasil na guerra. O germanófilo Filinto Muller, chefe da Polícia, que havia prometido proibir a manifestação, desistiu de reprimi-la e se demitiu.
– 1942, 15-17 agosto. Alemanha afunda 5 navios brasileiros
– 1942, 18 agosto. Grandes protestos nas capitais dos estados brasileiros exigem a declaração de guerra ao Eixo.
– 1942, 21 agosto. Vargas declara o estado de beligerância
– 1942, 25 agosto. O germanófilo general Góis Monteiro afasta-se do comando do Estado-Maior do Exército alegando motivo de saúde.
– 1942, 31 agosto. O Brasil declara guerra à Alemanha e Itália.

d) O Brasil na guerra (1942-1945)

O Brasil foi o único país da América Latina que enviou tropas para a Europa na Segunda Guerra Mundial, onde participou diretamente dos combates contra a Alemanha (o México enviou um grupo aéreo que lutou contra os japoneses no Pacífico). A decisão de organizar uma força expedicionária do exército (FEB ou Força Expedicionária Brasileira), apoiada por unidades aéreas (FAB ou Força Aérea Brasileira) partiu da insistência de militares brasileiros e do governo Vargas, movidos pelo nacionalismo e pela busca de prestígio internacional. O Brasil lutou na Itália em 1944-1945, com suas forças subordinadas ao V Exército Americano (parte do XV Grupo de Exército), concentrando suas ações contra as defesas alemãs da Linha Gótica. A marinha brasileira também atuou na guerra em missões de patrulha e combate anti-submarino no Atlântico. Principais momentos:
– 1943, agosto. O Estado Novo decide enviar combatentes à guerra contra a Alemanha; o plano era criar um Corpo de Exército com 3 divisões, mas só a 1 Divisão de Infantaria Expedicionária (I DIE, depois chamada de FEB), com mais de 25 mil homens, foi organizada. A estrutura e os equipamentos eram americanos. O comando da FEB ficou com o general Mascarenhas de Morais.
– 1943, dezembro. Formação do primeiro agrupamento de caças da FAB.
– 1944, julho. Início do envio das tropas brasileiras à Itália, que são integradas ao V Exército Americano comandado pelo general Mark Clark.
– 1944, setembro. Primeiros combates da FEB na Itália
– 1945, fevereiro. A FEB toma Monte Castello, controlado pelos alemães, depois de mais de 3 meses de combate. Foi a ação militar mais famosa do Brasil na guerra.
– 1945, fevereiro-abril. A FEB avança no norte da Itália.
– 1945, abril. Mais de 16 mil soldados alemães, junto com unidades fascistas italianas, se rendem a FEB próximo de Fornovo.
– 1945, maio. A FEB alcança Turim, onde se encontra com tropas francesas aliadas, e persegue o exército alemão em fuga nos Alpes. Nesse momento, a guerra termina.

1 comment:

Henrique said...

Cássio, sou seu aluno do 3º ano no Galois, e gostaria de dizer que te admiro muito como professor e considero os seus esquemas os melhores entre todos os professores de história, pois são auto-explicativos e facilitam o estudo extra-classe. Tirando toda essa bajulação, também queria lembra que a segunda parte sobre a guerra fria na américa latina está faltando... obrigado pela atenção